segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Virtual

Perdi uma aposta e fui obrigada a parar no Tinder.
Foram 26 dias submersos no game, feito uma personagem de Black Mirror.
Puuuta experiência antropológica! Tipo um mergulho no "Operários", da Tarsila do Amaral. 
Estava ficando craque, já, em olhar na fuça do sujeito e definir se "Ele Sim" ou "Ele Não". Geralmente acabava direcionando todo mundo pra esquerda. 
Família Tinder aumentando descaradamente na minha lista de contatos, um-vai-pra-lá-vem-pra-cá frenético para entrevistas presenciais no Bar do Estadão, rota de fuga segura para meu QG paulistano, e a percepção de que no final das contas, as conversas estavam mais para sessões de coaching com contatos descolados no Linkedin do que para o programa "Namoro ou Amizade", do SBT. 
E eu lá, com a paciência firmona, aguçando minha habilidade em desviar de malas dentro de saias justas... praticamente uma comissária de bordo. 
Então veio a etapa hard! O WhatsApp travou (o Messenger já tinha ido pro saco logo na largada). O celular começou a reiniciar sozinho. Instagram em perigo. Facebook fechando no meio de um live. 
Concentre-se, Livia! A mumunha agora é liberar espaço!
Comecei pelo aplicativo do banco, uma fácil decisão. Dali a pouco, lá se foi meu Maps. Desabilitei até a coitada da Bike Itaú. 
Quando estava prestes a excluir o Climatempo, tive a grande sacada! Mandei meu número pra uns 4 gatos (?) pingados e finalmente pá!: excluí o Tinder e fui pro bar. 
Solos de violino e trombetas angelicais retumbaram em meus ouvidos. Um mundo de possibilidades na base do "a realidade sempre é mais ou menos do que nós queremos" se descortinou para mim. Ando até lendo uns livrinhos, quando sento para o número 2. 

Modéstia à parte: acho que venci o jogo, né?! 👊